Astronomia no Brasil


HISTÓRIA

Considera-se que a Astronomia no Brasil nasceu junto com sua descoberta, pois o primeiro registro astronômico data do ano de 1500. Assim, as tribos indígenas provavelmente já possuíam alguns conhecimentos astronômicos. O bacharel João Emeneslau (físico, médico, engenheiro e astrônomo da esquadra de Cabral) foi quem efetuou as primeiras medidas astronômicas em solo brasileiro. Os relatos destas observações estão contidos numa carta por ele dirigida a D. Manuel, Rei de Portugal, escrita em final de abril de 1500. A partir do século XVII a Astronomia começa a se desenvolver de 
forma mais intensa no Brasil. Isso se deu por ocasião da invasão holandesa.

O príncipe João Maurício de Nassau, interessado por artes e ciências, mandou instalar em Pernambuco o primeiro Observatório Astronômico do Brasil no hemisfério sul. Outros trabalhos foram realizados no mesmo século por Valentin Estancel e Aloísio Conrado Pfeil, jesuítas que eram professores de Astronomia, sendo os primeiros a lecionar esta ciência no Brasil. O mesmo cometa observado por Estancel em 5 de março de 1668 foi registrado por Isaac Newton em seu Principia Mathematica. O astrônomo Edmund Halley também esteve no Brasil fazendo observações astronômicas no final do mesmo século.

A Astronomia continuou se desenvolvendo nos séculos seguintes. Nos séculos XVIII e XIX fundou-se o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, que originou posteriormente o Imperial Observatório, e depois, com a proclamação da República do Brasil, passou a ser chamado de Observatório Nacional.
Em 1881, o ex-astrônomo do Observatório Imperial, Manuel Reis, suscitou esforços pela instalação do Observatório Astronômico do Morro Santo Antônio, vinculado à Escola de Engenharia, que mais tarde passou para o Morro do Valongo, dando origem ao atual Observatório de Valongo, da UFRJ. 
Na Escola Politécnica de São Paulo, criada em 1893, iniciaram-se os primeiros cursos regulares de Astronomia. Esta Escola construiu um Observatório na Praça Buenos Aires, destinado principalmente ao treinamento de alunos.
O desenvolvimento brasileiro da Astronomia no século XX apresenta vários destaques, entre eles, na época da direção de Henrique Morize, a transferência do Observatório Nacional do Morro do Castelo para o Morro de São Januário, onde foi instalado em 1992. Em São Paulo, devido às iniciativas do diretor do Observatório oficial do Estado, engenheiro Alípio Leme de Oliveira, foi criada a Diretoria do Serviço Meteorológico e Astronômico do Estado de São Paulo, em 1927. O Observatório de São Paulo foi inaugurado em 1941, onde está localizada a sede do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Podemos citar ainda instalações como o Radio Polarímetro Solar usado originariamente para a observação do eclipse total de 1966 em Bagé – RS, o Rádio Observatório de Itapetinga (com cúpula protetora de 13,7 m), o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) de 1965, o Observatório da Piedade (com telescópico refletor de 61 cm) da UFMG, o Telescópio Refletor de 1,60 m do Observatório Astrofísico Brasileiro, o Observatório Abrahão de Moraes instalado em Valinhos-Vinhedo-SP, o Laboratório Nacional de Astrofísica de Brasópolis-MG, o Observatório de Capricórnio instalado em Campinas-SP e o Planetário Municipal de São Paulo. Outras entidades destinadas ao ensino e à divulgação da Astronomia no Brasil foram fundadas por professores de Astronomia e de outras ciências.
Rádio Polarímetro Solar: consiste de uma antena de 1,5 m de diâmetro que opera com dois receptores de baixo ruído (LNA). O sistema é dedicado para detectar a radiação solar circularmente polarizada.
Rádio Observatório de Itapetinga
Observatório da Piedade (com telescópico refletor de 61 cm) da UFMG
FONTE: cienciaemnovotempo

O AVANÇO DA CIÊNCIA NO PAÍS

A astronomia brasileira está conquistando um novo estágio em sua história. Isso ficou claro na realização da Assembleia Geral da IAU no Rio de Janeiro, entre 3 e 14 de agosto passado. Na avaliação dos aproximadamente 2.500 cientistas participantes, o encontro foi um dos melhores dos últimos tempos.

A escolha das sedes das assembleias da IAU é definida especialmente pelo interesse da comunidade internacional pela atividade astronômica no país e pela competência dos anfitriões em organizar um evento tão complexo como esse. Ao longo de duas semanas foram realizados 31 congressos, sendo 19 deles com brasileiros em seus comitês científicos.

Essa participação não foi apenas por cortesia dos estrangeiros, pois a reputação de um congresso é avaliada pela estatura científica do comitê. A comunidade internacional já havia notado que nossa astronomia cresce a uma taxa acima de 10% ao ano em termos de publicações e formação de doutores desde 1970. Esse crescimento é ímpar no mundo. Além disso, o Brasil tem investido em projetos de grande porte, como os telescópios Gemini de 8 metros (no Havaí e Andes chilenos) e o Soar de 4 metros (nos Andes chilenos). Alguns de nossos astrônomos têm demonstrado competência na gestão desses projetos, como também em comissões internacionais que publicam revistas científicas e a própria IAU, onde temos a vice-presidência.


Para os pesquisadores e estudantes da área, o acesso a dados científicos nunca foi tão abundante. Além dos telescópios Gemini e Soar, compramos acesso temporário ao Telescópio Canadá-França-Havaí (CFHT, na sigla em inglês), de 3,6 metros, no Havaí; por troca de tempo com o telescópio Gemini temos acesso aos telescópios Keck de 10 metros e ao Subaru de 8 metros (ambos no Havaí). E, por troca de tempo com o Soar, temos acesso ao Telescópio Blanco de 4 metros (no Chile).

Os pesquisadores e estudantes de pós-graduação têm demonstrado habilidade no uso desses recursos. No Gemini e Soar, nossa comunidade publica o dobro de artigos científicos (por unidade de tempo disponível) que os parceiros de melhor performance. Isso encorajou o ministro de Ciência e Tecnologia a anunciar, durante o encontro, que a cota de acesso ao Gemini será duplicada em 2010 e que o governo está estudando a participação do Brasil no telescópio de 42 metros (o Extremely Large Telescope) que a Europa planeja construir nos Andes chilenos. O capital viria dos trabalhos de construção civil por companhias brasileiras que já operam na região e pelo fornecimento de aço e alumínio.

Uma área muito dinâmica e com potencial de melhoria de nossos processos industriais é a fabricação de instrumentos de observação. Construir telescópios dá dinheiro, mas, como duram muito tempo, só poucas empresas no mundo se interessam por esse mercado. Os instrumentos, em contrapartida, podem ser renovados a cada poucos anos, dependendo do aparecimento de detectores de melhor performance, componentes ópticos de melhor transmissão de luz, computadores mais velozes ou de maior capacidade de memória e sistema de controle das oscilações atmosféricas como a óptica adaptativa.

Ainda este ano o Brasil vai colocar dois espectrógrafos de campo integral para funcionar no Soar (o SIFS e o BTFI). Um terceiro espectrógrafo, mono-objeto, mas de alta resolução espectral (Steles), irá para lá no próximo ano. Instrumentos desse porte são chamados de“classe mundial” e envolvem tecnologia de ponta em óptica, mecânica e controle. Além de permitir o aumento de qualidade e quantidade de dados em comparação aos equipamentos de geração anterior, eles são um excelente cartão de visita para os usuários estrangeiros, certificando nossa capacidade técnica.

Uma outra fonte importante de dados são os observatórios virtuais. Com o aumento da capacidade computacional e do poder de comunicação da Internet é possível oferecer as bases de dados já coletados por telescópios em solo e no espaço. Essa organização mundial se chama International Virtual Observatory Alliance (Ivoa), da qual o Brasil passou a fazer parte desde maio passado, através do Brazilian Virtual Observatory (Bravo). Qualquer internauta, ao acessar um observatório virtual, pode requisitar que o ponto do céu em que está interessado seja apresentado em diferentes janelas espectrais. Ou seja, os observatórios virtuais permitem uma visão multiespectral do céu, varrendo a faixa de raios gama, raios X, ultravioleta, visível, infravermelho e rádio. As oportunidades de descobertas são enormes.
FONTE: UOL - SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL

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